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2012-01-17 |

O que esperar de 2012: leia artigo do professor Antonio C. de Lacerda, publicado na última Xnews, sobre as perspectivas para o ano novo

São Paulo - O ritmo e profundidade da desaceleração da economia brasileira, assim como as mudanças no quadro internacional, exigem mudanças significativas na condução da política econômica. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) que foi de 7,5% deve restringir-se a apenas cerca de 3% este ano.
    A redução da velocidade do crescimento interno decorre das medidas que foram adotadas, desde o segundo semestre do ano passado, visando combater a aceleração da inflação. A subida dos juros, do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e as restrições de crédito vinham cumprindo o papel de diminuir o ímpeto do consumo doméstico. Em meados deste ano o agravamento da crise européia e a extensão da crise norteamericana representaram novos elementos.
    Na indústria, o desaquecimento é ainda maior, e dificilmente o setor vai fechar o ano com indicador positivo. Os investimentos, que vinham crescendo acima da media da economia também estão tendo o seu ritmo diminuído. Aqui, mais do que um problema de curto prazo, estamos adiando as condições para um crescimento futuro livre dos gargalos, especialmente na infraestrutura.
Em contrapartida a este quadro de desaceleração, as importações têm crescido, favorecidas pela taxa de cambio ainda valorizada frente a outras moedas. Parte expressiva da produção doméstica está sendo substituída pelas compras no exterior. Isso se dá especialmente nos setores de maior valor agregado.
Combater estes efeitos e garantir o que o crescimento deste ano se mantenha em pelo menos 3% 2M 2011 e acelere um pouco em 2012, diante de um quadro internacional ainda problemático, vai exigir uma mudança do mix da política macroeconômica brasileira. A escolha pela passividade fará com que paguemos uma parcela superior à desejada.
    O Brasil conta com uma situação macroeconômica bem melhor do que a maioria dos países em crise. Tanto do ponto de vista fiscal, dívida, nível de reservas cambiais e qualidade do sistema financeiro, temos um quadro favorável. Além disso, o mercado interno, com a inclusão de novos consumidores nos últimos anos, representa um trunfo importante, quando teremos perda potencial de receita de exportação, seja pela contração da demanda dos países em crise, seja pela queda dos preços das commodities.

Os bancos públicos são aliados cruciais, especialmente se houver contração do crédito e financiamento privados. Os investimentos públicos também têm papel relevante para estimular a atividade.

Por outro lado, a inflação que vinha representando um problema para a condução da política econômica doméstica será amenizada pela sobreoferta na economia mundial, o que fará com que os preços recuem, o que será um fator, que juntamente com o desaquecimento interno, deverá contribuir para que a taxa de inflação do ano que vem volte a se aproximar do centro da meta. Ou seja, há muito espaço para cortar as taxas de juros e isso precisa ser acelerado para servir de política anticíclica.

Outra decorrência direta do ambiente de crise em vários países é o acirramento da competitividade. Os governos nacionais têm tomado medidas para preservar os mercados domésticos e ganhar competitividade nas exportações. Para isso tem aumentado o protecionismo dos mercados e se utilizando de desvalorizações do câmbio.

O Brasil precisa ampliar as condições de competitividade da economia visando criar mais espaço para a produção e exportação de produtos de elevado valor agregado. Neste ponto, não se trata de uma questão meramente conjuntural, mas estrutural, que, no entanto, ganha contornos mais expressivos em um mundo como o atual, em que há uma disputa ferrenha por mercados. O espaço que vamos ter para crescer e se desenvolver, em um cenário internacional instável e adverso, vai depender muito das nossas próprias decisões e ações. Há oportunidades implícitas decorrentes do mercado potencial doméstico e das condições macroeconômicas relativamente sadias. Mas, isso não será suficiente para atravessar com segurança os mares turbulentos que se avistam!

Também é importante destacar que, para além do enfrentamento do problema conjuntural, o Brasil carece de uma visão estratégica de longo prazo, um projeto, que norteie as ações de médio e longo prazo para inserir a Nação no rol das mais desenvolvidas, não apenas econômica, mas social e ambientalmente. ><

Antonio Corrêa de Lacerda é professor-doutor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e economista especializado na análise de cenários e seus impactos para o ambiente empresarial.


Contato

Gisele  Ferreira Bailer

Gisele Ferreira Bailer
Market Communications Brazil

gisele.ferreira@lanxess.com

 

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